domingo, 16 de julho de 2017

Luto



Di um forma geral nta defendé manisfestasan cultural, desd kul ka ta “feri” ninguém, ma por motivos pessoais ntem stad ta refleti tcheu sobre luto, principalment pa peso e significad ku inda al tem na cultura cabo-verdiana.

Será k kel kestan de cor de ropa  ka ta fazé dor ser mas pesado inda? Um pessoa enluta ta abri maleta pa panha ropa pal besti al tem ku decidi sil ta bisti preto por “obrigasan” ou vermelho ku pode fazel sinti como sil traí algum kusa ou algum alguém (afinal besti vermelho ta bai contra kel kul ensinado desd de sempre). Tudo dia na momento di besti, para além lembra si perda al tem ku debaté ku si consiciência e as ves ku si questan financeira també (case al ka tené ropa poi luto).

Na alguns casos, pessoas ku luto ka podé obi música, canta e badja nem se fala. Em principio, maioria de pessoas ka ta xinti nem vontade pa comé conta mais pa badja, mas si música ta alegra alguém pamode kum pessoa k caba de perdé um alguém muto importante na si vida  e sta sofré profundamente ka podé busca console na música? Ka podé procura si forma de expresa luto?

Paula Ribeiro

terça-feira, 11 de julho de 2017

Escravos do Sistema III

Tudo lhes parecia diferente do que tinha sido dito. Supostamente foram para um país que tinha acabado de sofrer um grande desastre natural e que precisava de pessoas para ajudar na sua reconstrução, mas não havia sinal de desastre nem de caos. Nenhum deles percebia a língua local, mas ficaram com a sensação de que algures viram as pessoas em festa, mas foi-lhes dito que era uma homenagem às vítimas da catástrofe e agora chegaram a uma aldeia horrenda e degradada que ao parece foi construída em forma de um labirinto em cima das montanhas. Dedução engraçada, mas Juan não quis preocupar o irmão e mostrou-se entusiasmado. Do cimo da montanha dava para ver um sítio que parecia bem desenvolvido pelos números de aranha-céus que era possível ver. Mas uma coisa que dois irmãos sempre foram bons, embora o Juan muito mais, era orientação e ficaram com noção que era bastante longe. Por outro lado, a casa do Sr. Múltiplas era completamente diferente da realidade da aldeia, havia até um jacuzzi telecomandado mesmo à frente da cama. Os dois acreditaram que pelo menos poderiam ter uma vida digna ali.
No segundo dia fizeram umas visitas estranhas. De acordo com a boa orientação deles parecia que iam dar sempre ao mesmo lugar, mas alguma coisa mudava, a fachada talvez. Pagavam para entrar nos museus supostamente diferentes e com coisas que não faziam sentido nem mesmo para um museu. Não percebia a moeda local, mas sabiam que já estavam a gastar muito do pouco dinheiro que ainda tinha. Finalmente hora de comer. O Javier já estava a começar a ficar chateado de tanta fome e tanta visita sem sentido. Uma vez mais descontraídos sentados numa mesa que parecia ter areias nos frascos de temperos. Os dois não sabiam o que era e mesmo sem noção pediram ao Sr. Múltiplas para provar e como ambos estavam a rir por se acharem uns estúpidos depois de ambos pensarem que aquilo era areia. Onde já se viu areia junto do sal e azeite ou seja lá o que tinha os frascos. Entretanto já estava alguém atrás preparado para avançar só por ter achado que os dois irmãos tinham descoberto o Esquema e fizeram o Boss comer areia. Vamanos disse um dos irmãos.
-Vocês falam português? Explicaria, caso houvesse a oportunidade, que era para ser espanhol. Não falavam a língua local e por isso vagamente diziam palavras de outras línguas estrageiras que conheciam, mas não houve tempo para explicações. Um Senhor já muito velho, parecia ter pelo menos cem anos, não, certamente cento e cinquenta, começou a falar como se tivesse pressa em terminar antes que fosse interrompido. Não sabem como é tão ouvir alguém falar a minha língua. Desde que vim pra cá nunca mais falei a minha língua. O senhor que me trouxe até aqui percebia um pouco, mas morreu pouco tempo depois e fiquei sozinho, nunca mais consegui voltar. Sabem, perdi o meu passaporte e pedi um daqui. Fez uma ligeira pausa para respirar. Até me deram, tive que pagar muito dinheiro, mas no dia em deveria ter o levantado o meu filho precisou ir ao hospital, disse isso enquanto apontava com cabeça para o individuo que trazia consigo sentado numa cadeira de rodas. Depois gastei todo o dinheiro que me restava a tentar ver se me poderiam mandar ou algo assim, mas nada, e por isso nunca mais consegui voltar. Juan olhou para o jovem que estava na cadeira de rodas que o velho empurrava, tentou procurar alguma semelhança entre o jovem bem musculado e cheiroso que estava sentado na cadeira de rodas com a múmia-viva que falava à frente deles. Naquele momento percebeu que algo não batia certo. Aliás, que nada batia certo naquele lugar. A primeira intuição foi procurar o passaporte mas Javier segurou-lhe os braços antes que pudesse o fazer. O irmão mais novo já tinha percebido que era mesmo areia à mesa e também percebeu que homem armado só não avançou até eles porque o Sr. Múltiplas tinha feito um sinal disfarçadamente. Aproveitou a entrada do múmia-viva em cena para descobrir que nem ele nem o irmão tinham passaportes. Rezou que o irmão com fama de explosivo não desse por isso, por enquanto. Juan por seu lado confirmou com o toque do irmão que não valia a pena procurar, consciencializando que tinha à sua frente a maior luta que tinha enfrentado e que daquela vez perder a cabeça significaria por fim a vida de os dois.  

Paula Ribeiro

domingo, 2 de julho de 2017

E as minhas perguntas, “Isa”?



Desde muito cedo ensinaram-me que os seres vivos nascem, reproduzem (só mais tarde aprendi que nem todos) e morrem, porém ninguém me ensinou como lidar com a morte.

Existe um “mito” que nos tenta fazer acreditar que os velhos estão preparados para morrer, mas eu ainda quero e preciso perceber o que fazer com o amor. O meu amor não envelheceu nem mesmo as zangas, porque não havia lençol novo ou porque não houve cuidado para manter o chão limpo, fizessem com que o amor diminuísse.

Às vezes, quando a saudade aperta idealizo os dias de beijos e abraços, sem espaço para a saudade, mas e quando a pessoa já não está? Quando já não existe?...

Dizem que existe um lugar bem melhor para os mortos e eu quero acreditar nisso, mas isso não diminui a dor que senti e que ainda sinto.
Ainda tenho muitas perguntas... Precisava de saber mais sobre um tal chá…

Paula Ribeiro

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Escravos do Sistema- Part II

Cresceram a lutar e a defender-se um ao outro, mas as coisas nunca deram sinal de melhoras. Nos seus vinte e poucos anos de vida já não era possível contar as dificuldades que tinham passado. Já tinham tentado de tudo, ou melhor quase tudo para melhorar de vida. Os seus trabalhos foram quase sempre em condições precárias e às vezes nem dava para pagar as contas. Chegaram a trabalhar apenas em troca de uma refeição. Tentaram por várias vezes criar um negócio próprio, mas nunca foram bem-sucedidos e as coisas tornaram-se mais difíceis depois da passagem de ambos pela cadeia, e no caso de Juan já algumas vezes.
Os pais emigraram quando Javier tinha apenas oito e deixaram-no ao cuidado do Juan, apenas três anos mais velho. No início ainda os pais davam notícias e mandavam um dinheirinho no fim do mês, e se por uma ou outra vez o dinheiro demorasse a chegar, haveria sempre um tio, uma vizinha, ou até mesmo as pessoas da igreja que ajudavam de alguma forma. Com o passar do tempo o dinheiro demorava cada vez mais a chegar e as ajudas tornaram-se mais escassas até que um dia já não havia nem o dinheiro nem as ajudas. Juan viu- se obrigado a desistir da escola para ajudar o irmão mais novo e para pagar as contas e, ou, dívidas. O seu maior objectivo era que o irmão continuasse a estudar, pois sabia que era preciso “o papel”, pelo menos um diploma, para se ser alguém. Porém, o irmão mais novo também acabou por desistir da escola.
O Javier já tinha notado algumas incoerências nas histórias que o estrangeiro contava. Mas não estava muito interessado em as apontar, a não ser para o irmão, afinal a única que se consegue ao apontar um desonesto é ir parar a cadeia. Entretanto, o Juan mesmo concordando com o irmão mais novo estava tão desanimando e sem saída que convenceu o irmão que única solução que tinham era aceitar a proposta do estrangeiro, que resolverem chamar de Sr. Múltiplas por parecer que tinha múltiplas identidades e já que era quase certo que Smith não era o seu nome. O Sr. Múltiplas dissera que os iria ajudar a melhorar de vida, só que tinham que ir para um outro lugar. Juan estava convencido que tinham a vantagem de perceber que ele não muito coerente e que ele o irmão estariam sempre juntos, em todo o caso, dois contra um.
To be continued...

Paula Ribeiro

terça-feira, 6 de junho de 2017

Escravos do Sistema - Part I


Nenhum dos dois irmãos alguma vez cometera crimes graves. Mesmo tendo passado a fome que passaram, nunca chegaram a roubar. Chegaram a trabalhar muitas vezes com fome como distribuidores de comida e mercadoria, mas mesmo assim esperavam sempre pela hora certa. Foram parar a cadeia basicamente, um por ferver em pouca água e, ou, por ter sangue quente e o outro por ter boca grande.
O Juan era o que fervia em pouca água. Andava em brigas com os vendedores de drogas que tentavam influenciar o irmão mais novo, o Javier. Até partiu nariz a um deputado que quis pagar ao irmão para que tentasse conquistar a filha do adversário a fim de o ajudar. Aliás, foi por causa desse episódio que passou três meses na cadeia e o irmão acabou por juntar-se a ele. Antes deste episódio o Juan já tinha no seu histórico policial algumas noites e dois dias seguidos na cadeia, mas o Javier só fora à cadeia para o ir buscar, consciente de que tinha sido por o ter defendido da forma como normalmente resolvia as coisas, à pancada, que o irmão estava na cadeia. O Javier foi parar à cadeia porque começou a acusar publicamente os polícias e todos que trabalhavam no sistema judicial de corruptos. Quando viu que não tinham planos para deixar o irmão sair da cadeia. Começou a dizer, em voz alta, que estavam a ser todos pagos pelo deputado que lhe ofereceu dinheiro e só porque ele e o irmão não aceitaram, o irmão estava preso. Por isso, alguém o mandou prender. Prenderam-no por ser boca grande e passou duas semanas com o irmão, que já estava prestes a fazer três meses e acabaram por sair juntos.
Aparentemente manter os dois presos poderia prejudicar na campanha política, por isso foram libertos. E assim saíram para uma situação ainda pior. Já ninguém lhes dava trabalho e nem os queriam por perto. A única pessoa que ao que parecia não se importava, às vezes até era amigo dos dois, era um estrangeiro que não se sabia ao certo de onde tinha vindo. 

To be continued...

Paula Ribeiro

quarta-feira, 31 de maio de 2017

De admiração à desilusão


Admiração não é propriamente um sentimento que se tem para com todas as pessoas à nossa volta. Se calhar nem sempre há uma razão lógica para se admirar uma pessoa. Poucas vezes nos questionamos por que admirar uma pessoa e não a outra, isto porque, aparentemente, vivemos bem tanto o facto de admirar uns como o facto de não admirar outros.
A situação muda quando esta mesma pessoa passa de um patamar de uma admirada para um displicente ou seja quando a nossa consideração para com uma pessoa passa de 80 para 8 (ou 80 para 0).
Quando o nosso admirador ou a nossa admiradora nos consegue desiludir profundamente ficamos divididos. Por um lado, sentimos tentados a achar que a pessoa em questão é uma “má pessoa” que conseguiu até nos iludir a admirá-la. Por outro lado, sentimo-nos um “palerma” por nos deixarmos iludir e admirar esta pessoa.

Paula Ribeiro

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Olá



Sei que muitas coisas mudaram na nossa vida...

Sei que a distância que nos separa hoje não é apenas uma linha e um monte, mas sim um oceano, no entanto ainda assim, às vezes imagino-te a ligar-me e dizer "vou apanhar o último comboio, chego a tua casa daqui a pouco”.

Bem sei que já não posso ligar-te muito tarde para não acordar os meninos, e nem podemos falar muito para não incomodar a pessoa ao teu lado, mas ainda sim de vez em quando apanho o telefone para te ligar sem pensar na hora.

Também sei que já não faz sentido dormimos na mesma cama ou no mesmo quarto. O pior é que já nem há “espaço”, mas finjo que não percebo que já não há “espaço”.

É óbvio que já não estou aí, aliás nem tu estás aí, mas quero que me mandes mensagem a pedir para ir ter contigo. Ou então que me peças para te abrir a porta.

Sei que muitas coisas mudaram, mas isto não significa que não preciso de ti, que não tenho saudades tuas.

Paula Ribeiro

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Vida, curta e Preciosa


A vida é demasiado curta e muito preciosa para dedicarmos às pessoas e às coisas que de nada nos valem. Porém, o facto de uma pessoa, uma coisa não ser importante na nossa vida, não significa que não têm importância e nem significa que somos melhores ou que fazemos melhores. Essas coisas acontecem, às vezes, simplesmente por uma questão de “incompatibilidade vivencial” (porque não gostamos disso ou porque elas fazem assim). Admitindo ou não, todos nós por vezes nos cruzamos com algumas pessoas de quem não gostamos e elas mesmas por vezes “nos obrigam” a enfrentar/ultrapassar muitas coisas das quais também não gostamos. Se for uma pessoa ou uma coisa “normal” o problema provavelmente é nosso. Sendo assim, porque desperdiçar o precioso tempo e dedicar as pessoas e as coisas sem importância para nós?

Paula Ribeiro

domingo, 16 de abril de 2017

Morabeza [Cabo Verde]


Qualidade de quem é amável, delicado, gentil. = AFABILIDADE, AMABILIDADE, GENTILEZA

 https://www.priberam.pt/dlpo/morabeza [consultado em 16-04-2017].

Morabeza i um palavra k ta defini um povo/país nandé k mudjer k kulpad pamode alguém panha si fotos íntimos poi na facebook. Si culpa i tão rije k oto alguém ta viola de privacidade, ta desrespeital i ta trai si confiança ma ela k kulpad pamode al ka tem direit i liberdad pal faze fot di si propr corpo.

Morabeza ta defini um povo/país nandé k mudjer i menores de 14 anos (Katorzinha), ou seja nandé k menores ta ser violado ku aprovasan di tud sociedade. Ku propr menores ta sta tud basofas pamod es i Katorzinha, i por isso ta concorré kem k ta marca mas posição.

Enfim keli k ta defini um país nandé k moda k ta pega i violência seja ela Kassubody, divulgasan di fotos íntimos, violasan de menores.

Da ta ku pensa!



Paula Ribeiro

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Vivi a plenitude



😁
Espero ter a oportunidade de pelo menos brincar com os meus netos, no entanto, se morresse hoje, morreria sem arrependimentos.
Vivi a minha vida. Fui e sou feliz. Sou amada e tive a sorte de nascer e viver rodeada de pessoas que me amam (alguns até incondicionalmente). Amei e sofri. Aprendi que por uma pessoa nos magoar não significa que não merecemos ser amados por uma outra. Errei muito, magoei as pessoas que quem gosto muito. Fui perdoada e esqueci muitas mágoas. Aprendi com muitos erros, o que não significa que nunca repeti um erro. Ainda sim, vivo para apreender sem errar. Vi o sol a nascer. Tomei o banho de chuva. Ri até chorar, sozinha, com a minha mãe e com as minhas irmãs. Chorei por coisas banais e suprimi algumas lágrimas mesmo quando achei que era impossível aguentar. Vivi sob o céu mais estrelado do mundo (ninguém me convence, mesmo com prova, de que existe um outro mais estrelado) e cantei para a lua. Chorei de tantas saudades na esperança de que vai passar e não passou. Sonhei e sonhei muito alto e mesmo tendo de desistir de alguns sonhos, ainda acredito e batalho por muitos. 
Quando disse vivi a minha vida, quis dizer, vivo os dias que tenho o prazer de viver na sua plenitude e sempre com sede de viver muito mais e já agora “com mais plenitude”.


Paula Ribeiro

quinta-feira, 30 de março de 2017

O Eu e o Desconhecido

O desconhecido na maioria das vezes assusta-nos. Somos capazes de fazer o mesmo caminho todos os dias sem sequer pensar ir para outra rua, só porque nunca fomos por aí. Se mudar de rua “custa”, “mudar de vida” é assustador. Existem vários “monstros” que muitas das vezes nem são reais. Dá um frio na barriga, um calafrio que muitas das vezes se esconde dos outros. O pior é que é preciso avançar para se certificar que realmente não existe nenhum monstro, mas sim só o nosso medo. Esses tipos de coisas não se ensinam e nem se aprende com os outros.
Já alguns anos deixei tudo que conhecia para viver no Porto. É claro que não foi fácil, no entanto no meu imaginário quando preciso “do meu recanto” lá estou eu, entre a Oliveira do Gaio, Palácio de Cristal e Ribeira. Alguém um dia me disse, que isto se deve ao facto de no Porto me ter encontrado comigo mesma. Sendo assim, quero reencontrar-me comigo mesma de vez em quando.

Paula Ribeiro


quarta-feira, 15 de março de 2017

Di meu


Dam ganda tchumau di meu. Dixam tchumau di meu so pam engana nha cabesa.
Djam sabe pomode bo i ka di meu. Djam sabe pamode bo i ka di ninguém.
També n´sabe pamode bu podé bai, bo i livre pou sai pou bai ma dixam enganau. Dixam enganau pamode junto ku mi ki bu lugar. Longe di mi sol ka ta brilhá. Si ka junto ku mi vida ka tem piada.

Si kre  bo i ka di meu. Djam sabé pamode bu podé, ma n´precisa descubri kal k segred pou fika junto ku mi, pa bu ka bai.


Paula Ribeiro

terça-feira, 14 de março de 2017

Só queria dizer…

Provavelmente já é muito tarde para te ligar…
Imagino que já estejas a dormir.
Se calhar já o tinha dito antes mas, ainda assim, preciso de te dizer mais uma vez neste momento…
Possivelmente poderia esperar pelo amanhecer, mas parece-me demasiado tarde. Aliás, quando não estás por perto, quando não te vejo, quando não te puder tocar, abraçar e sentir o teu cheiro, o tempo insiste em não querer passar e a saudade torna-se insuportável.
Enfim, só queria dizer...

Paula Ribeiro

domingo, 5 de março de 2017

E se elas não existirem?

O ser humano criou uma coisa chamada sociedade (que por acaso às vezes foge até um pouco à sua definição dos dicionários). Esta chamada sociedade faz-nos para além de precisar de uma mãe, precisar de médicos, padeiros, pedreiros, costureira e muitas outras pessoas para nos ajudar. Precisamos dos psicólogos para nos convencer que não somos “malucos”. Precisamos dos humoristas para nos ajudar a não enlouquecer. 
Precisamos ainda “das nossas pessoas” para nos aturar quando estamos em baixo, para ouvir os nossos desabafos. Precisamos “das nossas pessoas” para partilhar os nossos bons momentos, para rir connosco. Mas e se essas “nossas pessoas” não existirem?
Provavelmente seria uma miserável. Porque na maioria das vezes são “estas minhas pessoas” que me proporcionam bons momentos e motivo para rir, mas a verdade é que também são elas que me deram mais motivo para ficar em baixo e precisar desabafar. Quando não estiver satisfeito com um padeiro, vou a outro ou como uma bolacha. Pedreiro provavelmente encontraria outro. Mas quando “as nossas pessoas” nos “faltem” não é assim tão fácil procurar outras, se é que existe mais outra.


Paula Ribeiro

domingo, 29 de janeiro de 2017

“Biggest Problem”


Nowadays old people are considered as one of the “biggest problem” for some countries. Maybe these countries have a reason to be so concerned about it. After all, the old population is not profitable. On the contrary, old people cost so much. They have especially expensive needs. But is that the reason why society treats them like trash? Or in some cases worse than trash because they can´t be recycled. How can sons treat their old men and women like an evil curse?
We all know that the society needs young people. But how can we forget that these old people have been young one day? How can we forget that one day we will probably be old like them? How cannot we see the great wisdom they contain? Perhaps, in some case the society is old now because in the past people worried so much about how to be profitable and they didn’t have time to produce children.
Maybe these countries have no structure to take care of old people I suppose that in the past the old people weren’t abandoned and battered like today. Maybe that is the consequence of evolution. However, I prefer to believe that we could do more and better for them. Now we don’t need them, but we don’t need to forget what they have done for “us”. Even if they didn’t do so much. What about doing for them better than they did for “us”. If we are more evolved and smarter than them we should prove it.
The truth is that a little bit of respect, love and tolerance can resolve half of this “big problem”.


Paula Ribeiro

domingo, 22 de janeiro de 2017

Eu sou assim


Muitas das vezes quando se tenta “ganhar” uma discussão ou se calhar até numa tentativa disfarçada de pedir desculpas, usa-se a expressão, mas “eu sou assim”. Ora, o ser humano não é uma estátua, por isso ninguém é assim. Somos o que somos porque nos tornamos assim e da mesma forma que no futuro nos podemos tornar uma outra pessoa. Somos o resultado das circunstâncias sejam elas boas ou más! Provavelmente, a vida não tinha piada se fôssemos sempre a mesma pessoa, statu quo, desde do dia em que nascemos até à morte. Então qual é vantagem de viver os anos que já vivemos e ter a experiência de vida que já temos?

Ainda assim, não é porque sabemos que o ser humano é “moldável” que nos devemos armar em Gepeto e tentar criar um Pinóquio (pessoa) à nossa maneira. As pessoas não mudam só porque os outros querem, ou se calhar não deveriam.

Paula Ribeiro