quinta-feira, 30 de março de 2017

O Eu e o Desconhecido

O desconhecido na maioria das vezes assusta-nos. Somos capazes de fazer o mesmo caminho todos os dias sem sequer pensar ir para outra rua, só porque nunca fomos por aí. Se mudar de rua “custa”, “mudar de vida” é assustador. Existem vários “monstros” que muitas das vezes nem são reais. Dá um frio na barriga, um calafrio que muitas das vezes se esconde dos outros. O pior é que é preciso avançar para se certificar que realmente não existe nenhum monstro, mas sim só o nosso medo. Esses tipos de coisas não se ensinam e nem se aprende com os outros.
Já alguns anos deixei tudo que conhecia para viver no Porto. É claro que não foi fácil, no entanto no meu imaginário quando preciso “do meu recanto” lá estou eu, entre a Oliveira do Gaio, Palácio de Cristal e Ribeira. Alguém um dia me disse, que isto se deve ao facto de no Porto me ter encontrado comigo mesma. Sendo assim, quero reencontrar-me comigo mesma de vez em quando.

Paula Ribeiro


quarta-feira, 15 de março de 2017

Di meu


Dam ganda tchumau di meu. Dixam tchumau di meu so pam engana nha cabesa.
Djam sabe pomode bo i ka di meu. Djam sabe pamode bo i ka di ninguém.
També n´sabe pamode bu podé bai, bo i livre pou sai pou bai ma dixam enganau. Dixam enganau pamode junto ku mi ki bu lugar. Longe di mi sol ka ta brilhá. Si ka junto ku mi vida ka tem piada.

Si kre  bo i ka di meu. Djam sabé pamode bu podé, ma n´precisa descubri kal k segred pou fika junto ku mi, pa bu ka bai.


Paula Ribeiro

terça-feira, 14 de março de 2017

Só queria dizer…

Provavelmente já é muito tarde para te ligar…
Imagino que já estejas a dormir.
Se calhar já o tinha dito antes mas, ainda assim, preciso de te dizer mais uma vez neste momento…
Possivelmente poderia esperar pelo amanhecer, mas parece-me demasiado tarde. Aliás, quando não estás por perto, quando não te vejo, quando não te puder tocar, abraçar e sentir o teu cheiro, o tempo insiste em não querer passar e a saudade torna-se insuportável.
Enfim, só queria dizer...

Paula Ribeiro

domingo, 5 de março de 2017

E se elas não existirem?

O ser humano criou uma coisa chamada sociedade (que por acaso às vezes foge até um pouco à sua definição dos dicionários). Esta chamada sociedade faz-nos para além de precisar de uma mãe, precisar de médicos, padeiros, pedreiros, costureira e muitas outras pessoas para nos ajudar. Precisamos dos psicólogos para nos convencer que não somos “malucos”. Precisamos dos humoristas para nos ajudar a não enlouquecer. 
Precisamos ainda “das nossas pessoas” para nos aturar quando estamos em baixo, para ouvir os nossos desabafos. Precisamos “das nossas pessoas” para partilhar os nossos bons momentos, para rir connosco. Mas e se essas “nossas pessoas” não existirem?
Provavelmente seria uma miserável. Porque na maioria das vezes são “estas minhas pessoas” que me proporcionam bons momentos e motivo para rir, mas a verdade é que também são elas que me deram mais motivo para ficar em baixo e precisar desabafar. Quando não estiver satisfeito com um padeiro, vou a outro ou como uma bolacha. Pedreiro provavelmente encontraria outro. Mas quando “as nossas pessoas” nos “faltem” não é assim tão fácil procurar outras, se é que existe mais outra.


Paula Ribeiro